segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Pelo Avesso - Titãs

Vamos deixar que entrem
Que invadam o seu lar
Pedir que quebrem
Que acabem com seu bem-estar
Vamos pedir que quebrem
O que eu construi pra mim
Que joguem lixo
Que destruam o meu jardim

Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro

 

Vamos deixar que entrem
Que invadam o meu quintal
Que sujem a casa
E rasguem as roupas no varal
Vamos pedir que quebrem
Sua sala de jantar
Que quebrem os móveis
E queimem tudo o que restar

Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
O mesmo desespero

Vamos deixar que entrem
Como uma interrogação
Até os inocentes
Aqui já não tem perdão

Vamos pedir que quebrem
Destruir qualquer certeza
Até o que é mesmo belo
Aqui já não tem beleza

Vamos deixar que entrem
E fiquem com o que você tem
Até o que é de todos
Já não é de ninguém

Pedir que quebrem
Mendigar pelas esquinas
Até o que é novo
Já esta em ruinas

Vamos deixar que entrem
Nada é como você pensa
Pedir que sentem
Aos que entraram sem licença
Pedir que quebrem
Que derrubem o meu muro
Atrás de tantas cercas
Quem é que pode estar seguro?

Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro
Eu quero a mesma humilhação - a falta de futuro
Eu quero o mesmo inferno
A mesma cela de prisão - a falta de futuro



O mesmo desespero




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Arthe



domingo, 18 de outubro de 2009

E viva o ópio do povo!




Confesso que ontem vivi momentos de terror e  revolta.
Na minha frente, de minha mãe e filha, um garoto de uns 14 anos foi literalmente escurraçado pela polícia, Era um menino de rua,  via-se  que era drogado. Ele estava pedindo água em um bar, na frente de nosso carro, quando veio a polícia, o abordou ali mesmo, machucou, bateu.
 Minha mãe foi lá pedir para eles pararem..., o menino chorava desesperadamente, de repente ele fugiu e o guarda pegou ele na frente do nosso carro e o jogou em cima do carro, minha filha dentro do carro chorando.
 Eles eram de uma violência...
Eu me desesperei.
Eles jogaram o garoto do carro pra rua onde ele quase foi atropelado, na hora muita gente se aglomerou e se juntou a minha mãe, a comoção foi geral, porque eles estavam literalmente trucidando o menino.
 Os guardas não soltavam o menino, só soltaram quando minha mãe disse que ia denunciar, mesmo assim o garoto correu e eles foram atrás!
Que Polícia é essa? A onde estamos meus Deus? Minha mãe depois chorava tanto que o queixo chegava a tremer, ficamos todos muitos assustados, nunca tínhamos visto isso, o garoto não roubou, não tinha droga no bolso, não tinha nada!

Porque não fazem  batida em barzinho de playboy ? Ali sim eles encontrariam drogas, agora um pobre coitado, com fome e sede ser humilhado, torturado...
Foi tudo pavoroso, foram 15 minutos de terror.

(Baseado em um relato real de uma amiga)

Mas alegria minha gente! As Olimpíadas são nossas!
A cidade maravilhosa será abençoada com os dolares dos visitantes...
É só mantermos o povo sob controle.
                                                       


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Arthe


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

O Meu País
(Zé Ramalho)


 
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo

Um país que crianças elimina
Que não ouve o clamor dos esquecidos
Onde nunca os humildes são ouvidos
E uma elite sem deus é quem domina
Que permite um estupro em cada esquina
E a certeza da dúvida infeliz
Onde quem tem razão baixa a cerviz
E massacram - se o negro e a mulher
Pode ser o país de quem quiser
Mas não é, com certeza, o meu país .
Um país onde as leis são descartáveis
Por ausência de códigos corretos
Com quarenta milhões de analfabetos
E maior multidão de miseráveis
Um país onde os homens confiáveis
Não têm voz, não têm vez, nem diretriz
Mas corruptos têm voz e vez e bis
E o respaldo de estímulo incomum
Pode ser o país de qualquer um
Mas não é com certeza o meu país .
Um país que perdeu a identidade
Sepultou o idioma português
Aprendeu a falar pornofonês
Aderindo à global vulgaridade
Um país que não tem capacidade
De saber o que pensa e o que diz
Que não pode esconder a cicatriz
De um povo de bem que vive mal
Pode ser o país do carnaval
Mas não é com certeza o meu país.
Um país que seus índios discrimina
E as ciências e as artes não respeita
Um país que ainda morre de maleita
Por atraso geral da medicina
Um país onde escola não ensina
E hospital não dispõe de raio - x
Onde a gente dos morros é feliz
Se tem água de chuva e luz do sol
Pode ser o país do futebol
Mas não é com certeza o meu país.
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo
Um país que é doente e não se cura
Quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo
Sem saber emergir da noite escura
Um país que engoliu a compostura
Atendendo a políticos sutis
Que dividem o brasil em mil brasis
Pra melhor assaltar de ponta a ponta
Pode ser o país do faz-de-conta
Mas não é com certeza o meu país
Tô vendo tudo, tô vendo tudo
Mas, bico calado, faz de conta que sou mudo.